| |
| Turning Portuguese, I think I'm turning Portuguese, I really think so... |
|
April 27, 2002
| Gaming |
So, I received the following Email from a brazillian address. I don't know what it's about but I'd like to. Let's post it, bablefish it, and then discuss...
Subject: Na verdade, o que / o RPG?
O preconceito ao RPG
? impressionante como o Poder P?blico e a m‚dia conseguem deturpar a realidade, transformando situaŸ´´es espec‚ficas em gen/ricas, deslocando as causas dos acontecimentos e colocando verdadeiros cabrestos preconceituosos na opini—o p?blica. ? o que est? acontecendo no caso do assassinato da estudante Aline Silveira Soares, de 18 anos, ocorrido em Ouro Preto (MG) em outubro do ano passado.
Aline foi encontrada morta a facadas no cemit/rio. As marcas de sangue e a posiŸ—o do corpo indicavam prov?vel ritual. Aline jogava RPG e diversos jogadores de seu grupo foram indiciados pelo crime.
Pronto. Bastou um jogador de RPG supostamente matar uma jogadora de RPG que a maioria das pessoas, mesmo sem ter a m‚nima noŸ—o do que / o jogo, abomin?-lo, por influ?ncia direta dos meios de comunicaŸ—o. V?rios livros sobre RPG comeŸar—o a ser classificados por faixa et?ria (at/ a‚, tudo bem) e alguns outros ("Illuminati", "Vampiro, a M?scara" e "Dem?nio, a Divina Com/dia") podem at/ ser retirados do mercado. Tem at/ gente que defende a proibiŸ—o do jogo no Brasil!
O RPG (Roleplaying Game) /, genericamente, um tipo de jogo de representaŸ—o onde um "contador de hist˜rias" narra uma aventura e os outros jogadores participam com personagens previamente elaborados. O contador, que geralmente / chamado de mestre (sem nenhuma conotaŸ—o religiosa ou hier?rquica), tem a incumb?ncia de fazer o jogo se desenrolar de acordo com as aŸ´´es dos outros jogadores. ? como um filme que possui apenas um esboŸo do roteiro: ele vai se desenrolar de acordo com as opŸ´´es tomadas pelos participantes durante o jogo.
Os jogadores precisam elaborar personagens de acordo com cada aventura a ser narrada pelo mestre. Personagens esses que podem possuir caracter‚sticas (forŸa, intelig?ncia, habilidades, modo de pensar, objetivos de vida, at/ esp/cie e sexo!) diferentes do pr˜prio jogador. Para sermos bem caricatos, isso n—o quer dizer que um homem que tem como personagem uma condessa do s/culo XVII vai se travestir de mulher e ficar fazendo trejeitos, ou que uma mulher que representa uma assassina profissional do s/culo XX vai aparecer na sess—o de RPG com roupas negras e armas de verdade para matar todo mundo. Os jogadores apenas explicam ao mestre o que seu personagem est? fazendo e, durante a explicaŸ—o, podem fazer gestos, movimentos com o corpo e at/ pequenas atuaŸ´´es improvisadas.
O jogo pode se passar na /poca medieval, onde os personagens dos jogadores precisam resgatar a princesa raptada; no futuro, onde os personagens est—o em miss—o diplom?tica para promover a paz no planeta Terra-7; numa dimens—o alternativa, onde Hitler venceu a Segunda Guerra Mundial e os personagens s—o da forŸa rebelde dos Estados Unidos; ou at/ na cidade de Ja?, onde os personagens s—o cidad—os comuns, que, por coincid?ncia ou n—o, recebem uma carta misteriosa dizendo para se encontrarem em tal lugar.
O RPG d? asas ? imaginaŸ—o. O RPG incentiva a leitura e a escrita. O RPG / uma das melhores formas de se desenvolver a criatividade. O RPG ensina aos jogadores o trabalho em equipe, o companheirismo e uma melhor conviv?ncia social. O RPG evolui a intelig?ncia, o racioc‚nio e a percepŸ—o. O RPG ensina ao jogador o que est? acontecendo ao seu redor, na sua cidade, no seu pa‚s e no mundo. O RPG descobre habilidades ocultas no indiv‚duo, como por exemplo o dom de desenhar ou de representar. E tantas outras vantagens.
Infelizmente, n˜s, jogadores de RPG, temos que conviver diariamente com a falta de informaŸ—o da populaŸ—o. E continuamos lutando contra o preconceito:
1 - N—o fazemos parte de uma seita ou culto demon‚aco. Apenas nos reunimos constantemente para praticar um gosto em comum, assim como enxadristas se re?nem para praticar xadrez;
2 - N—o somos nerds. Apenas gostamos de ler e pesquisar sobre o jogo. Para isso, precisamos ter livros e peri˜dicos sempre em m—os;
3 - N—o somos homossexuais. Assim como no futebol, n—o h? interesse grande de mulheres em participar de jogos de RPG, apesar de o n?mero de jogadoras aumentar a cada ano;
4 - N—o somos malucos. Apenas gostamos de conversar uns com os outros sobre guerras e paz, humanos e alien‚genas, monstros e her˜is, deuses e mortais, anjos e dem?nios, vampiros e caŸadores, elfos e drag´´es, geralmente presentes nas hist˜rias de RPG, uma vez que o jogo se baseia na ficŸ—o e aventura;
5 - N—o somos assassinos! Apenas imaginamos situaŸ´´es de nossos personagens num mundo fict‚cio. A morte faz parte da vida (/ nossa ?nica certeza, ali?s), e, pelo fato de os personagens serem her˜is, muitas vezes se arriscam demais e podem morrer (assim como em alguns filmes). NÌO SOMOS NîS QUE MATAMOS E NÌO SOMOS NîS QUE MORREMOS, SÌO NOSSOS PERSONAGENS. Infelizmente, o assassino de Aline n—o soube diferenciar a enorme fronteira entre ficŸ—o e realidade.
Do mesmo jeito que / poss‚vel haver m/dicos que fazem parte de uma seita demon‚aca, ou padres nerds, ou procuradores da rep?blica homossexuais, ou atores malucos, tamb/m / poss‚vel haver um jogador de RPG assassino. O rid‚culo / achar que a causa do assassinato ocorrido (ou de qualquer homic‚dio) foi o RPG, ou o xadrez, ou qualquer outro jogo.
Jogo RPG h? 7 anos. Durante esse per‚odo, escrevi seis livros-enredo a punho, tendo que pesquisar (em fontes como livros, jornais, revistas, internet, profissionais da ?rea e outros) hist˜ria mundial, geopol‚tica, literatura, artes, direito, economia, e diversos outros ramos de ci?ncia. N—o h? uma sess—o de jogo em que ningu/m aprende algo importante a respeito de conviv?ncia social, cotidiano brasileiro e mundial ou Hist˜ria. N—o h? um dia de sess—o em que n—o volto para casa dando graŸas a Deus pelo valioso grupo de amigos que tenho, formado por causa do RPG. E mesmo que pro‚bam o RPG, n—o vamos deixar de jogar, porque n—o somos marginais.
Em nome de todos os jogadores de RPG do Brasil, peŸo um grande favor: n—o deixe que discursos paliativos de representantes do Estado ou informaŸ´´es dirigidas acabem por lhe convencer. Leia, informe-se em sites sobre o assunto (como o www.rpg.com.br), converse com algu/m que joga RPG ou, melhor ainda, v? assistir a uma sess—o de RPG. Depois disso, forme a SUA opini—o sobre o jogo. S˜ assim voc? estar? livre desse preconceito idiota.
Jorge Soufen Junior / jogador de RPG, jornalista e estudante de Direito
POR FAVOR PASSE A FRENTE!!
|
| .:Posted by Michael on April 27, 2002 12:08 PM:.
|
|
|
|